October 24, 2026

Exemplos de personagens para a campanha de Unknown Armies 2nd Ed "As Últimas Noites de Outubro"

 Vou escrever aqui e ir atualizando durante o dia. 

Roman Castavet
Avatar: O Diabolista 

Regan MacNeil
Pazuzu

Escola de Magia: Miasmancia
Avatar: A Vítima Demoníaca

Meursault
Escola de Magia
: Agonomancia

Riobaldo


Roman Castavet (Steven Marcato)

Conceito: Líder de Culto Satânico/Milionário

Obsessão: Trazer o Filho do Diabo ao mundo físico/Avatar: Diabolista*.

Escola de Magia / Arquétipo: Avatar do Diabolista (The Diabolist)

Paixão do Medo (Helplesness): Que algo de mal aconteça ao bebê prometido ao diabo - e ele perca a chance de receber os benefícios do pacto.

Paixão da Raiva (Insubordinação): Ele acha inaceitável que as pessoas não o obedeçam. 

Paixão do Estímulo (Seu Coven Satânico): Ele trata com lealdade os outros membros do seu culto.  


Body (Corpo): 50

General Fitness (Condicionamento Físico): 25%
(Apesar de idoso, ele ainda tem boa disposição para viajar e agir)

Linguagem Corporal "Sou um homem refinado e inofensivo": 25%

Struggle
(Briga): 15%


Speed (Velocidade): 50

Initiative (Iniciativa): 25%

Drive (Condução de veículos): 15%

Dodge (Esquiva):
 15%


Brecheiro:
 25%
(ele é bom em bisbilhotar e entrar em locais sem ser notado)

Mind (Mente): 70

General Perception (Percepção): 15%

Submundo Oculto (Culto Satânico): 40% 

Mr Gaslight / Bolsonismo / Manipula que nem sente: 25% 

Conhecimento de Dondoca Refinada: 35%
(Conhece museus por todo mundo e onde comer o melhor crepe em Paris)

Soul (Alma): 70 

Charm (Charme): 45%

Magia Ritual / Alinhamento de Avatar: 70%
(O primeiro canal desse avatar, permite usar seu nível de avatar como Taumaturgia)

Intimidação Aveludada: 10% 

Lying (Mentir): 20%




Roman é um homem que já passou por rituais macabros, mudou de identidade e lida com o sobrenatural há décadas. Seus medidores refletem um sociopata experiente:

Violence (Violência): 2 Endurecido / 0 Falhas (Ele não mata com as próprias mãos se puder evitar, mas não hesita em mandar envenenar ou amaldiçoar alguém)

Unnatural (Sobrenatural): 5 Endurecido / 0 Falhas (Ele é imune ao choque do oculto)

Helplessness (Impotência): 3 Endurecido / 1 Falha (O controle é sua vida; perder as rédeas do coven é seu maior gatilho de estresse)

Isolation (Isolamento): 4 Endurecido / 0 Falhas (Ele vive nas margens da sociedade e sua riqueza lhe empresta um "buffer" adicional em relação as pessoas)

Self (Identidade): 5 Endurecido / 0 Falhas (Ele mudou de nome de Steven Marcato para Roman Castevet e sabe exatamente quem é e o que quer)

Rompedor ou um Retentor?

Roman pode ser tornar um Rompedor por acreditar que romper o véu pode trazer o diabo que ele cultua para a Terra, ou um Retentor ao acreditar que o que está por trás do véu é outro tipo de demônio/monstro e deseja preservar a mundo para seu próprio demônio. 


Avatar: O Diabolista (The Diabolist)

Existem dois tipos de pessoas que seguem esse arquétipo. O de real convicção religiosa, é o menos comum. Em geral, o Diabolista não adora uma criatura vermelha com chifres que vive em um inferno literal sob a terra; ele canaliza o Arquétipo do Adversário. Ele é um mestre da transgressão refinada, o arquiteto de pactos egoísta e o pastor que guia os fracos através da manipulação de seus desejos mais sombrios. Quando se tornam líderes de seitas satânicas, usam o ocultismo como um teatro e uma ferramenta de controle psicológico (usando gaslight e isolamento coercitivo) para obter riqueza, sexo, lealdade e poder secular.

Símbolos: 

Toda a parafernália usual que nos foi introduzida por filmes de horror que representam satanistas: pentagramas, pentagramas invertidos, contratos escritos com sangue/urina/fezes, túnicas negras ou vermelhas, elementos visuais que lembrem um bode (chifres, máscara, roupa de couro do animal), símbolos fálicos, adagas/facas/tridentes/espadas que possam ser usados em rituais. 

Tabu: 

Agir com altruísmo, admitir publicamente seus erros, demonstrar vulnerabilidade. Claro, tudo isso é possível e não é tabu, se fizer parte de planos futuros que me deem vantagem e que sejam, em última instância, formas de avançar planos para uma satisfação egoísta, que lhe garanta pessoalmente poder e riqueza ou pelo menos, terrível vingança. É possível vestir perle de cordeiro, mas nunca deve esquecer que é um lobo ou víbora. 

Canais: 

1-50% O Pai da Mentira: As pessoas tendem a acreditar no Diabolista, dando a ele um bônus de +10% para contar mentiras ou esconder algo de outras pessoas. Seu talento com mentiras, porém, não é apenas um leve bônus, mas uma vez por dia/sessão de jogo, o Diabolista pode contar uma mentira, por mais absurda que seja, e a menos o alvo a resita com um teste de Mente (Mind) subtraindo o sucesso do Diabolista ao contar a mentira, ele vai acreditar dela por uma quantidade de minitus, igual a casa de dezenas que o Diabolista tenha em Soul. 

51-70% Não há Religião superior à Verdade: O Avatar é capaz de, mesmo sem treinamento mágico formal, realizar rituais de magia, substituindo os testes que seriam realizados com Taumaturgia, pelo seu nível de Avatar: Diabolista. Essa forma instintiva de entender como o processo mágico ocorre, realizando ele "através de sua vontade", permite também que "sintam" quando há um artefato ou criatura mágica perto deles (incluindo adeptos, mas não avatares), se estiverem se concentrando para isso (com um teste de Avatar: Diabolista). 

71-90% Os escravos servirão : O Diabolista é capaz de prender demônios a sua vontade. Alguém que ele mate ritualisticamente, se conseguir prender ele a sua vontade (com um teste bem sucedido de Avatar: Diabolista) se torna um demônio mesmo que quando vivo, não tenha sido um escravo de sua obsessão. Este demônio deve ser preso a um objeto e ele pode "conversar" com o Diabolista, se for um utensílio que ele possa usar ou vestir (anéis e pendentes são formas comuns de usar demônios com esse propósito), lhe concedendo bônus de +20% em testes de conhecimento e percepção. O DIabolista pode também prender o demônio a uma arma (branca, até o momento, por mais que tentem, não conseguiram utilizar balas para isso), e uma pessoa que sofra um corte feito por ela, deve fazer um teste de Alma/Soul e caso falhe, será possuído pelo Demônio por até o próximo amanhecer, quando o Demônio será dissipado, até lá, o demônio é obrigado a seguir as ordens dadas pelo Diabolista.   

91-98% Faze o que tu queres, há de ser tudo da Lei: O sangue do Diabolista adquire propriedades que ele pode usar em magias que causem dor e servitude. As sacrificar de seu próprio sangue (o dano tem de ser proposital e feito por si mesmo), o Diabolista pode realizar um Blast Menor contra um alvo que ele possa ver. O ataque não causa efeito físico rastreável. Ao utilizar seu sangue em um ritual simbólico, conectando a vítima ao seu sngue derramado (sobre o nome dela, ou sobre uma foto, fios de cabelo, etc), o seu alvo fica compelido a obedecer o Diabolista até o próximo amanhecer e se tentar resistir aos seus comandos diretos, irá sofrer um teste de Sobrenatural e Self (um adepto, porém, pode queimar 5 cargas menores para se proteger desse efeito).  


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Regan MacNeil (e Pazuzu (*)

Conceito: Garota possuída por um demônio que tenta sobreviver até achar alguém que consiga exorcizar Pazuzu, tendo fugido de casa para proteger a própria mãe do demônio que a acompanha. 

Obsessão: Sobreviver ao demônio até que alguém a salve. (
Avatar: A Vítima Demoníaca (The Demonic Victim)**)

Escola de Magia / Arquétipo: Reagan é um Avatar da Vítima Demoníaca, o que ajuda ela a sobreviver a Pazuzu, Pazuzu por sua vez é um demônio hábil no uso de uma escola de magia (Miasmancia*)

Paixão do Medo (Impotência): Ser controlada por Pazuzu ou confrontada pelas ações realizadas pelo demônio.  

Paixão da Raiva (Magia): Reagan tem ódio a tudo que é sobrenatural.

Paixão do Estímulo de Nobreza (Inocentes): Reagan compartilha da dor das pessoas que tiveram sua inocência roubada de alguma forma e as tenta proteger. 

Body (Corpo): 65

General Athletics (Condicionamento Físico): Resistir Desgate Físico Provocado Pelo Demônio 55%

Struggle (Briga): 15%

Speed (Velocidade): 60

Initiative (Iniciativa): 30%
Drive (Condução de veículos): 45%
Dodge (Esquiva):  15%

Mind (Mente): 45

Conceal (Ocultar): 25%
General Education (Nível de Educação): Procurar No Ocultismo Como se Livrar de Pazuzu 45%
Notice (Percepção):  25%

Soul (Alma): 70

Avatar: A Vítima Demoníaca: 70%
Charm (Charme): Oi, eu sou só uma garotinha, pode me ajudar? 45%
Lying (Mentir): Minha mãe sabe sim que estou aqui, obrigada! Ela está no carro me esperando! 45%


Violence (Violência): 3 Hardened / 3 Failed, Pazuzu abusa dela fisicamente. 

Unnatural (Sobrenatural): 5 Hardened / 3 Failed: É a vítima de uma possessão demoníaca! Doh. 

Helplessness (Impotência): 4 Failed. Reagan não tem quem lhe dê segurança. 

Isolation (Isolamento): 3 Failed. Ela vive só e isolada, evitando se aproximar de quem Pazuzu possa causar mal. 

Self (Identidade): 2 Hardened/ 3 Failed. Seu senso de Self foi muito fragilizado, mas ela continua resistindo.  


Rompedor ou um Retentor?
Reagan não desejaria que esse mundo fosse destruído, por outro lado, Pazuzu não pensaria duas vezes em ser um Rompedor. 

Pazuzu: Pazuzu pode ser um demônio persa ancestral ou um adepto pedófilo. Demônios em Unknown Armies são pessoas que morreram ainda dominadas pela sua obssessão, então qualquer das respostas é válida. Um background como adepto em vida, seja ele milenar ou alguém que morreu meses antes de possuir Reagan, explica dentro do sistema as suas habilidades. 

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* Miasmancia


Essa escola de magia do demônio Pazuzu o torna capaz de criar elementos em torno da pessoa possuída que criam um Locus Horribilis : um ambiente de Horror. Seus efeitos afetam a área imediata onde está a pessoa possuída e o próprio corpo e pensamentos dessa pessoa. 

Essa escola de magia tem como paradoxo o ganho de poder pela depravação do que é bom, suportando o alívio e amor dado a pessoa possuída para ganhar poder. Para cada pessoa que entre no espaço imediato de Reagan e a enxergue como alguém inocente, Pazuzu ganha uma carga menor, para cada pessoa que ativamente a ajude, lhe fazendo um favor, a alimentando, lhe dando suporte emocional, etc, ele ganha uma carga significativa. Se alguém perder sua vida tentando salvar a vida de Reagan, ele ganha uma carga Major. 

Pazuzu pode ganhar o controle sobre Reagan e usar o nível de Soul dela para realizar magias nessas condições: 

Quando ela falha em um teste de Estresse. 
Quando ela ativa uma paixão de Medo ou Ódio, ela faz um teste contra Soul, se felhar, ele a possui. 
Quando ela Dorme, Pazuzu faz um teste usando o Soul dela, se for bem sucedido, ele tomar o controle.

Tabu: As pessoas exergarem Reagan/Ou a pessoa possuída e não ele, como o vilão. A escola se baseia na tensão de poder entre vítima e horror dominante. 

Magias de Carga Menor: 

Frio Como o Inferno
Custo: 1 Carga Menor
O ambiente próximo a Reagan se torna claramente mais frio, por uma cena causando uma penalidade de -10% em quem estiver próximo. Pode causar teste de Sobrenatural. 

A Noite é Escura e Cheia de Horrores
Custo: 1 Carga Menor
O ambiente próximo a Reagan se torna escuro e as sombras se movem de maneira... Estranha. Por uma cena, causa uma penalidade de -10% em quem estiver próximo. Pode causar teste de Sobrenatural. 

São Canos Velhos
Custo: 1 Carga Menor
O ambiente próximo a Reagan produz sons estranhos, ecos, ruídos que arrepiam. Por uma cena, causa uma penalidade de -10% em quem estiver próximo. Pode causar teste de Sobrenatural. 

Deve ter sido o gato
Custo: 2 Cargas Menores
Usando telecinésie o demônio pode mover objetos, mas sem controle ou um alvo específico. 
Causa teste de Sobrenatural. 

Valha-me Deus! 
Custo: 3 Cargas Menores
Um Blast Menor, em que um objeto ou Reagan (com uso de telecinésia para lhe dar força ou arremessar um objeto), ataca alguém (nesse caso, usando o nível de Soul no lugar de Briga). 

Disco do Fofão/Disco da Xuxa (Glossolalia/Xenoglossia Inversa)
Custo: 4 Cargas Menores
Fala em línguas diversas e mesmo esquecidas ou/e em ordem inversa. Força um teste de Sobrenatural. 

Magias de Carga Significativa:

Foi você, não foi? 
Custo: 1 Carga Significativa
Torna o ar do ambiente quase que irrespirável. O odores podem ser diferentes para as várias pessoasl no ambiente, mas são absolutamente repugnantes. Causa um redutor de -30% em uma cena nas proximidades de Reagan. 

Foi a maionese. 
Custo: 1 Carga Significativa
Dispara através de Reagan um jato de vômito fétido que causa uma penalidade de -20% por uma cena no alvo (Usa Soul de Reagan para acertar) por conta da repugnância, e força um teste de Impotência em quem for atingido.

A Dona Aranha subiu pela parede...
Custo: 1 Carga Significativa
O corpo da pessoa possuída, por uma cena, não obedece as leis naturais, podendo se mover pelas paredes e se contorcer de maneira que não é natural (girar a cabeça por 360 graus). Pode causar teste de Sobrenatural. 

Não tem terremotos no Brasil...
Custo: 2 Cargas Significativas
O demônio pode exibir controle telecinético por uma cena ou por 5 turnos de combate, o que terminar primeiro. Durante esse tempo, pode levitar para esquivar (usando o nível de Soul de Reagan), fechar e abrir portas e janelas a distância, fazer tremer a casa, etc. Quem testemunhar os efeito, realiza um teste de Sobrenatural.  

Um Passarinho me Contou...
Custo: 2 Cargas Significativas
O demônio sabe o segredo mais sombrio da vítima e pode usar essa informação para causar um teste em qualquer um dos medidores de loucura dela. 

Joga a mãe! 
Custo: 2 Cargas Significativas
É o Blast Significativo (causa dano de arma de fogo). Um ataque telecinético que atinge (usando Soul de Reagan) com um objeto pesado, rápido ou cortante, de maneira muito violenta. Alternativamente Reagan pode atacar usando o próprio corpo usando de uma força descomunal (Soul como Briga).  

Possível efeito de Cargam Maior: 

Pode forçar um teste de Soul nas pessoas presentes e os que falharem, tem sua sanidade destruída por Pazuzu ou podem ser escolhida como novo hospedeiro. 

Caso Pazuzu Falhe em um teste de Soul, ele perde 1 carga significativa ou 10 menores (significativa tem preferência) e Reagan pode escrever no seu corpo um pedido de auxílio ou dar informações para quem puder ler. Isso pode causar um teste de sobrenatural em quem observar o fenômeno. 

**

Avatar: A Vítima Demoníaca (The Demonic Victim)

Esse avatar é da vítima demoníaca que resiste a possessão, mesmo depois de um exorcismo ser tentado, é a vítima que se recusa a desistir, mesmo quando já foi destruída de muitas formas. A sua persistência se torna icônica em seu martírio. 

Símbolos: 

Elementos que lembrem a sua inocência e forma de resistência passiva. A Vítima Demoníaca é, mesmo que inquebrantável, ainda assim uma vítima, que se segura a sua inocência e pureza para resistir ao monstro. 

Tabu: 

A sua resistência é baseada na resiliência e fé. A busca por uma alternativa mística, em que a própria vítima livre a si mesmo do monstro, ou ela passe a tentar usar o demônio para seu benefício, dominando ela o espírito maligno, corrompe a natureza do Avatar e sua santidade. 

Canais: 

1-50% Amor ao Próximo: Pessoas que veem Reagan, fazem um teste de Soul -X (onde X é cada nível de Desamparo Falied x 10 de Reagan), para evitar que a tentem lhe prestar algum tipo de auxílio ou conforto. Pessoas que tenham como estímulo de Nobreza Crianças, Vítimas ou Inocentes, tem +20% em testes para ajudar ela de alguma forma. 

51-70% Não Derramaras o Sangue de Inocentes: Qualquer pessoa que tentar ferir Reagan quando ela não estiver sob controle de Pazuzu. tem -20% em testes para lhe agredir/enganar ou lhe fazer algum mal. Ao realizar ações do tipo, precisa realizar um teste de Helplessness ou Self por atacar alguém tão inocente.  

71-90% ...Como de um cordeiro sem defeito e sem mácula. : Caso Pazuzu ou outra criatura/pessoa cause dano a ponto de matar Reagen, Reagan faz um teste de Avatar e se bem sucedida, esses efeitos acontecem: o dano é convertido em uma quantidade de níveis de teste de Madness igual a soma de sua dezena e unidade, distribuído nos presentes. Se o dano for causado por Pazuzu, ele se torna incapaz de tomar o controle de Reagan por uma quantidade de horas igual a soma da dezena e unidade do resultado dos dados que causou o dano. Adicionalmente a esses efeitos, testemunhas que percebem que o dano letal foi reparado, precisam fazer um teste de Sobrenatural. 

91-98% E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal: A vítima é também uma pessoa que busca a mansidão e ajudar aos próximos, justamente por padecer pelos outros quando sente o que é ser maltrado. Uma vez por dia, ao realiza uma ação em benefício de outra pessoa, sem benefício direto para si, o Avatar pode eliminar uma marcação de Failed de seu medidor de Loucura. Adicionalmente, ao atingir esse nível, ele nunca pode ter todos os níveis de Loucura marcados como Hard (não pode se tornar um psicopata). 

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Meursault
Conceito: Personagem de O Estrangeiro, de Camus, um homem que enxerga o mundo de forma desapaixonada.
Obsessão: Se vingar de um mundo que ele acredita ser frívolo. 
Escola de Magia / Arquétipo: Agonomancia
Paixão do Medo (Self): Perde de controle de suas ações. 
Paixão da Raiva (Hipocrisia Moral): Raiva de pessoas que tentam criar regras morais e falsos sentidos grandiosos para justificar a existência.
Paixão do Estímulo de Nobreza: Pessoas punidas por uma moral que ele considera ridícula ante um mundo que não se importa de fato com as pessoas. 
Body (Corpo): 50
General Athletics (Condicionamento Físico): 30%
Struggle (Briga): 45%

Speed (Velocidade): 50
Initiative (Iniciativa): 25%
Drive (Condução de veículos): 15%
Dodge (Esquiva): 15%
Furtividade: 40%
Mind (Mente): 60
Conceal (Ocultar): 15%
General Education (Nível de Educação): 30%
Notice (Percepção): 60%
Soul (Alma): 60
Charm (Charme): 15%
Lying (Mentir): 30%
Agonomancia: 60%
Medidores de Sanidade (Mental Stress Gauges):
Violence (Violência): 3 Endurecidos (Hard), 0 Falhas (Failed) (A dor dos outros lhe é totalmente indiferente).
Unnatural (Sobrenatural): 2 Endurecidos (Hard), 0 Falhas (Failed) (Vê a magia como mecânica de um mundo absurdo).
Helplessness (Impotência): 1 Endurecido (Hard), 1 Falha (Failed).
Isolation (Isolamento): 4 Endurecidos (Hard), 0 Falhas (Failed) (Sente que prefere estar sozinho que com outras pessoas).
Self (Identidade): 3 Endurecidos (Hard), 0 Falhas (Failed).

Agonomancia

descrição da escola.

Tabu: Descrição do tabu 

Magias de Carga Menor: 

Frio Como o Inferno
Custo: 1 Carga Menor
O ambiente próximo a Reagan se torna claramente mais frio, por uma cena causando uma penalidade de -10% em quem estiver próximo. Pode causar teste de Sobrenatural. 

A Noite é Escura e Cheia de Horrores
Custo: 1 Carga Menor
O ambiente próximo a Reagan se torna escuro e as sombras se movem de maneira... Estranha. Por uma cena, causa uma penalidade de -10% em quem estiver próximo. Pode causar teste de Sobrenatural. 

São Canos Velhos
Custo: 1 Carga Menor
O ambiente próximo a Reagan produz sons estranhos, ecos, ruídos que arrepiam. Por uma cena, causa uma penalidade de -10% em quem estiver próximo. Pode causar teste de Sobrenatural. 

Deve ter sido o gato
Custo: 2 Cargas Menores
Usando telecinésie o demônio pode mover objetos, mas sem controle ou um alvo específico. 
Causa teste de Sobrenatural. 

Valha-me Deus! 
Custo: 3 Cargas Menores
Um Blast Menor, em que um objeto ou Reagan (com uso de telecinésia para lhe dar força ou arremessar um objeto), ataca alguém (nesse caso, usando o nível de Soul no lugar de Briga). 

Disco do Fofão/Disco da Xuxa (Glossolalia/Xenoglossia Inversa)
Custo: 4 Cargas Menores
Fala em línguas diversas e mesmo esquecidas ou/e em ordem inversa. Força um teste de Sobrenatural. 

Magias de Carga Significativa:

Foi você, não foi? 
Custo: 1 Carga Significativa
Torna o ar do ambiente quase que irrespirável. O odores podem ser diferentes para as várias pessoasl no ambiente, mas são absolutamente repugnantes. Causa um redutor de -30% em uma cena nas proximidades de Reagan. 

Foi a maionese. 
Custo: 1 Carga Significativa
Dispara através de Reagan um jato de vômito fétido que causa uma penalidade de -20% por uma cena no alvo (Usa Soul de Reagan para acertar) por conta da repugnância, e força um teste de Impotência em quem for atingido.

A Dona Aranha subiu pela parede...
Custo: 1 Carga Significativa
O corpo da pessoa possuída, por uma cena, não obedece as leis naturais, podendo se mover pelas paredes e se contorcer de maneira que não é natural (girar a cabeça por 360 graus). Pode causar teste de Sobrenatural. 

Não tem terremotos no Brasil...
Custo: 2 Cargas Significativas
O demônio pode exibir controle telecinético por uma cena ou por 5 turnos de combate, o que terminar primeiro. Durante esse tempo, pode levitar para esquivar (usando o nível de Soul de Reagan), fechar e abrir portas e janelas a distância, fazer tremer a casa, etc. Quem testemunhar os efeito, realiza um teste de Sobrenatural.  

Um Passarinho me Contou...
Custo: 2 Cargas Significativas
O demônio sabe o segredo mais sombrio da vítima e pode usar essa informação para causar um teste em qualquer um dos medidores de loucura dela. 

Joga a mãe! 
Custo: 2 Cargas Significativas
É o Blast Significativo (causa dano de arma de fogo). Um ataque telecinético que atinge (usando Soul de Reagan) com um objeto pesado, rápido ou cortante, de maneira muito violenta. Alternativamente Reagan pode atacar usando o próprio corpo usando de uma força descomunal (Soul como Briga).  

Possível efeito de Cargam Maior: 

Pode forçar um teste de Soul nas pessoas presentes e os que falharem, tem sua sanidade destruída por Pazuzu ou podem ser escolhida como novo hospedeiro. 

Caso Pazuzu Falhe em um teste de Soul, ele perde 1 carga significativa ou 10 menores (significativa tem preferência) e Reagan pode escrever no seu corpo um pedido de auxílio ou dar informações para quem puder ler. Isso pode causar um teste de sobrenatural em quem observar o fenômeno. 

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Riobaldo
Conceito: Ex-jagunço assombrado pelo passado.
Obssessão: Saber a quem de fato serve, se a Deus ou ao Diabo. 
Escola de Magia / Arquétipo: Nenhuma. 
Paixão do Medo (Sobrenatural): Teme ser um escravo de forças que não controla. 
Paixão da Raiva (Quando o destino he prega peças): Quando as ciscuntância fazem com que seus planos não deem certo. 
Paixão do Estímulo de Nobreza (Soldados e Guerreiros: Sente camaradagem por outros homens de armas. 
Body (Corpo): 45 
General Athletics (Condicionamento Físico): 30%
Struggle (Briga): Facão 45%
Speed (Velocidade): 55
Initiative (Iniciativa): 27%
Drive (Condução de veículos): 15%
Dodge (Esquiva): 15%
Mira de Cangaceiro: 55%
Mind (Mente): 60
Conceal (Ocultar): 15%
General Education (Nível de Educação): Coisas de Deus e do Tinhoso 45%
Notice (Percepção): Olho de Sertanejo 45%
Soul (Alma): 60
Charm (Charme): 35%
Lying (Mentir): 25%
Taumaturgia: 30%
Medidores de Sanidade (Mental Stress Gauges):
Violence (Violência): 4 Endurecidos (Hard), 1 Falha (Failed)
Unnatural (Sobrenatural): 1 Endurecido (Hard), 3 Falhas (Failed) 
Helplessness (Impotência): 2 Endurecidos (Hard), 2 Falhas (Failed)
Isolation (Isolamento): 2 Endurecidos (Hard), 1 Falha (Failed) 
Self (Identidade): 1 Endurecido (Hard), 2 Falhas (Failed) 

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TEMPLATE

Nome


Conceito:

Obsessão: 

Escola de Magia / Arquétipo: 

Paixão do Medo (tipo): 

Paixão da Raiva (tipo):

Paixão do Estímulo (tipo): 

Body (Corpo): 

General Athletics (Condicionamento Físico):  15%

Struggle (Briga): 15%

Speed (Velocidade): 

Initiative (Iniciativa): (Speed/2)
Drive (Condução de veículos): 15%

Dodge (Esquiva):  15%

Mind (Mente): 

Conceal (Ocultar): 15%
General Education (Nível de Educação): 15%
Notice (Percepção):  15%

Soul (Alma):
Charm (Charme): 15%
Lying (Mentir): 15%





Violence (Violência): 

Unnatural (Sobrenatural): 

Helplessness (Impotência): 

Isolation (Isolamento):

Self (Identidade): 

September 12, 2026

Procurando um norteamento pro blog

 Nós últimos meses procurei outros canais de publicação de meus textos e tenho deixado de lado o Blog. Aqui, eu sempre vou manter uma relação mais particular, de textos publicados de forma mais crua, imediata e sem revisão. Para um texto revisado, me procure no substack ou wattpad. Eventualmente textos que eu escrevo inicialmente nessas plataformas, devo migrar também para o blog. 

Não sei bem o que fazer com o blog, exatamente, além disso. Talvez eu volte a escrever "o que penso" por aqui, mas é algo que tenho reservado para grupos pessoais do Whatsapp. Social Media tomou um rumo que me desagrada bastante e tenho me tornado um "recluso seletivo", preferindo apenas usar redes sociais para compartilhar coisas com conhecidos. 

Há hoje em dia um clima, político e social, baseado em ódio, vingança, julgamento, que não se restringe apenas a personalidades públicas e o vigiar do pensamento se tornou uma característica própria do nosso zeitgeist. Eu prefiro evitar irritações. Isso não quer dizer que me esconda: continuo acreditando no anarquismo e não vou deixar de ser ateu. Mas daí a discutir com todo doidinho de bairro que conseguiu usar uma conexão de wi-fi, são outros quinhentos. 

Dito isso tudo, espero que as duas ou três pessoas que me seguiram esses anos todos continuem por aí e bem, mesmo que não tenhamos tanto contato. E podem sempre me procurar no Substack, redes sociais (tento adicionar só quem conheço minimamente) e agora, no Wattpad. 

August 24, 2024

Folclores

 André continua morto. Mas infelizmente, ainda paga aluguel. É a única razão para manter um celular ao seu lado, mesmo que longe o suficiente para fingir que é como os antigos telefones, algo que ele poderia se distanciar e ignorar. 

Antes de ver quem ligou para ele de madrugada, André levanta, toma um banho frio, faz um enxágue bucal com algo que não seja listerine (muito caro) e prepara um ovo pro café da manhã (com apenas sal, manteiga está pela hora da morte (e ele sabe, ele já morreu)). 

O gato mia da varanda do apartamento, oferecendo a ele uma comida mais consistente, mas André já assumiu que ratos, pelo menos do Recife Antigo, não devem ter sido aprovados pela vigilância sanitária. Ele faz um sinal de agradecimento, come o ovo e pega o celular para ir ao jardim ver o que o gato quer. Na sua pata esquerda está amarrado um pedaço de papel, mas ele verifica o celular antes de ler, decidindo ordenar as más notícias pela sua ordem de importância. 

"Olá, Sr. André, tudo bem? Meu nome é Carolina, eu sou assistente de Paulo Miguel Netto, da Netto Construtora. Ele gostaria de conversar pessoalmente com o senhor e entrevistá-lo a respeito de um serviço."

“E talvez”, pensa André, “nem tenha sido uma má notícia no fim das contas”. 

Junto com a mensagem, um endereço. "Ela mandou a mensagem depois da meia-noite? Acho que vou poder cobrar caro", pensou André, pegando o gato-pergaminho e o abrindo: "Precisamos conversar. Padaria da sua rua. Vou estar vestindo uma mulher de vestido verde e tênis vermelhos". 

Depois de ler a mensagem, André pegou sua chaves, canetas, um caderno de bolso, colocou o celular em um bolso escondido na parte interior da calça, se equipou com a pochet pega-ladrão, saiu do apartamento, fechando a porta e o cadeado do lado de fora. 

Chegou a padaria após alguns minutos de massacre solar, desapontado com os vereadores que não colocaram ainda ar-condicionado na cidade. Logo viu que uma mulher com a descrição enviada pelo Cavaleiro, estava lá. Ele não a reconhece, mas se aproxima e senta-se na mesma mesa. 

- Bom dia, Cavaleiro.

  A mulher termina de beber o café à sua frente e olha atentamente para André. Parece perdida por alguns momentos. Seu batom está borrado e olhos marejados. Por um momento, atira seu braço na direção de André e parecia que ia gritar, mas como que agarrada por uma imensa força invisível, congela e relaxa. 

- Desculpe, André. Ela é nova.  

- Eu compreendo, Cavaleiro. O que houve? 

- Vi algo nas estrelas que me incomodou. Era sobre você. Achei melhor lhe alertar pessoalmente, André. Pois vi também uma oportunidade. 

- Eu sei que sem enigmas você não conseguiria sequer proferir uma frase, Cavaleiro, mas nem todo mundo vive de sonhos e tenho um cliente para ver. 

A velha múmia o olha com fúria por trás dos olhos da mulher. André teria medo se já não estivesse morto. 

- Não irei me demorar, Fantasma. 

A mulher abre uma daquelas bolsas ecológicas de supermercado e mostra pra André o conteúdo: oito vasos canópicos. André arregalou os olhos pensando no que tudo isso implicava e antes de abrir a boca, o Cavaleiro continuou: 

- Não escrevi instruções, terá de pedir isso aos gatos. Ainda sabe como? 

- Não me ofenda! 

- Bom. Ainda há esperança. Em breve você irá se encontrar com vilões da pior estirpe! Ladrões de tumbas! 

- Figurativamente...?    

- Antes fosse! Ouça enquanto caminha nas ruas, entenderá o que digo. Leve os vasos. É uma oportunidade, André! 

- Está bem, não se agite. Não quero ela lhe escapando e fazendo um escândalo aqui. Quem é essa, afinal?  

- Matava gatos na vizinhança.

- Entendo. E obrigado, Cavaleiro. Eu assumo que, nos vasos...?  

- Meus cavalos. Uma oportunidade, André. Por duas vezes, anulará o mal e fará o bem. Quem sabe, seu coração se torna mais leve? 

- Duvido. Ando comendo muito processado. E farei o possível, amigo. Tenho saudades deles. Até mais ver. 

- André! - disse a mulher, se virando pra ele - Não esqueça de levar uma espada! 

O cavaleiro continuou a comer a refeição pela boca da mulher, que havia sido interrompida pela visita de André. "Velho maluco", pensou André, "eu não tenho uma espada!". 

Ele seguiu até Boa Viagem, chegando ao prédio da construtora, quase ao meio dia. A demora não foi culpa do ônibus, do motorista, nem do engenheiro de trânsito, sequer do prefeito, e muito menos do absurdo número de carros por habitante da cidade, que uma dia teria de iniciar um financiamento coletivo para trazer o próprio Cerberus para Recife, afinal, as coisas ainda não pareciam ser claras o suficiente, né? 

O saguão do prédio era acolhedor, diferente do que André esperava. Em geral, esses prédios anti-sequestro têm o mesmo calor humano que tubarões. Não teve problemas em entrar e logo estava no último andar. E sequer esperou muito. 

Carolina o recepcionou e o apresentou a Paulo Miguel Netto. O empresário sorriu de forma sincera durante toda a reunião, mas para André, era claro que tinha vários esqueletos no armário. Bem, não necessariamente esqueletos, mas estava acompanhado de vários fantasmas. Isso não era comum, especialmente como se comportavam. Eles olhavam André com curiosidade, mas não falaram nada durante toda a reunião, o que era… Peculiar. Não pareciam também com raiva, mas André checou seus bolsos e só com o tato, percebeu a cabeça de alho que carregava contra mal olhado, ressequida. Depois disso, fez tudo para apressar sua saída dali. 

O caso, disse o empresário e a assistente, era simples: a construção de um novo shopping, O Recife Novo, fora interrompida. Máquinas pareciam quebrar sem motivo, os trabalhadores relataram pesadelos e visões, animais atacavam os engenheiros (um foi mordido por um timbu e um outro, açoitado por pombos até sair do local), e até o clima no local imediato, parecia pior que o do resto da cidade. O empresário sangrava dinheiro com essa demora e isso lhe era intolerável.   

Eles lhe deram um contato, o do médium que havia lhe indicado ao empresário, mas seu nome não era um que André recordava ter conhecido: Migueli Moura. Ele mandou mensagem para Moura e combinaram de se encontrar durante a noite, na construção. Queria ver o local com os próprios olhos e entender o que estava acontecendo. 

Saiu feliz e quase cantarolando um “Friday, I'm in love”, pois com o adiantamento do serviço, que ainda não era muito claro, talvez um exorcismo, o morto-vivo foi até outra padaria para jantar. Não iria esbanjar, nunca se sabe o dia de amanhã, mas saber que vários amanhãs estavam seguros lhe deixava mais tranquilo. Procurou um estabelecimento  mais adequado aos seus padrões do que a de um príncipe egípcio, e pediu um café com leite e um sanduíche. 

Antes de ir para o encontro, ainda com a pesada sacola, lembrou da recomendação do egípcio e finalmente entendeu o que ele quis dizer. Procurou pelas ruas e prédios, pediu licença a um porteiro e se armou. 

Mais tarde, quando desceu do uber (agora tinha algum dinheiro) na entrada para a área de construção, um caminho mal iluminado de barro, um declive, André logo foi cercado por vários gatos. E ele odiava o que tinha de fazer em seguida, pois iria arruinar a sua roupa, mas deitou no chão e deixou os gatos lhe cobrirem, comendo fios do seu cabelo, esfregando seus focinhos nas suas mãos e com suas garras, escrevendo instruções sobre ele, como quem amassa pão. Depois de comungarem com o fantasma, os gatos se esconderam nas trevas enquanto ele descia para a área onde estava a construção, com a sacola de compras e a roupa, agora, suja de terra e rasgada. Super na moda. 

Não havia seguranças na parte de baixo. André não gostou disso. A despeito das circunstâncias, havia maquinário, equipamento e materiais, que poderiam ser roubados. Foram instaladas câmeras, e eram evidentes - além de haverem placas lá fora indicando a vigilância do local, caso essas passassem despercebidas. Mas só as câmeras, de fato, não afasta ninguém sem pelo menos um segurança.  

E ele começou a ter companhia. Não eram muitos, mas eram velhos, mais do que isso, antigos. Ele gesticulou para que o pequeno grupo se aproximasse, mas falavam uma língua que não conhecia. “Indígenas?”, ele se perguntou. Era difícil enxergar eles, suas formas eram inconstantes e indefinidas. Haviam morrido a muito tempo. Tentou sinalizar que não iria lhes fazer mal, mas não sabia com certeza se entenderam. Haviam entre eles alguns mais fortes, mas estes estavam desconfiados apesar de serem, sim, amedrontadores. Sombras que exalavam uma força palpável e… Poltergáistica. 

André decidiu prosseguir, aparentemente eles não o viam como uma ameaça e Moura devia estar logo adiante. Um gerador fornecia luz e aqui e acolá havia lâmpadas acesas. Uma espécie de barracão estava acesso. Acendeu um cigarro de fumo e deu duas tragadas que o fizeram tossir e continuou a caminhar, agora naquela direção. 

Um homem alto, magro, lhe abriu a porta quando se aproximou do barracão. Olhou para ele espantado. 

- André? - perguntou o homem, com um tom de incredulidade.

- Sim, eu mesmo. Eu escorreguei, caí e rolei um pouco o caminho abaixo, mas estou bem, não se preocupe.

- Tem certeza? Mas entre, e puxe uma cadeira. 

André entrou e fez exatamente isso. O Barracão era bem iluminado por dentro e havia mais duas portas dentro dele. De uma delas, veio uma sensação que lhe lembrou Netto. Ele levou o cigarro novamente a boca e tragou novamente, tossindo. Ele realmente odiava fumar.   

- Obrigado. Imagino que você seja Moura? 

- Sim, sim! André, você não tem ideia do prazer que tenho em lhe conhecer! - disse o homem, sentado em outra cadeira, do outro lado da pequena mesa. O espaço não era grande, e havia ferramentas e material de construção por todo o lado, no chão, encostadas nas paredes ou em estantes improvisadas.

- Como assim? 

- Eu sou uma espécie de connoisseur a seu respeito. - O homem sorria. Parecia ser um fã genuíno. 

- Connoisseur? - André ainda estava tentando entender o que seria um especialista em si mesmo e não gostava da ideia. Sempre fora reservado e as atividades de seu grupo, assim pensava, secretas, mesmo que estas exigissem contato com pessoas fora dele e uma boca a boca em um submundo que lida com o oculto. 

- Sim, eu sou um especialista em se tratando de você!

- Eu sei o que é um connoisseur! - Disse André irritado. “Diabos, nem uso instagram, eu sei ler!”, pensou para si mesmo. 

- Perdão, André! Não quis ofender! - O homem chegou a se levantar por um momento, talvez com medo que André fizesse o mesmo ou fosse embora. 

- Não, está tudo bem. Pode me explicar o que está acontecendo aqui? 

- Claro, sem dúvida! 

Moura, entre explicações e um olhar para André que o fazia sentir-se como um peru de natal antes da ceia, detalhou o que sabia: haviam escavado um cemitério indígena. De fato, não um “cemitério”, mas um local de batalha entre duas tribos, em que os mortos foram tantos, que não sobrou quem recolhe-se os corpos e todos ficaram ali para serem comidos por animais e apodrecer. Coisa que não faz diferença para muitos mortos, mas estes ficaram furiosos! E o desrespeito de ter o que ainda restava deles sendo despojado, até pulverizado por máquinas, em nada melhorou a relação da empreiteira com eles.  

Enquanto Moura explicava, André pensava em toda a situação. Algumas coisas não faziam ainda sentido para ele. Esperava encontrar um grande perigo, mas Moura, ao contrário, era um “fã”, em suas próprias palavras. “Será que o egípcio, em sua ânsia por ver novamente seus cavalos, teria se precipitado?“, pensou. Não seria a primeira vez, mas havia algo errado. Ele sabia disso desde a visita ao escritório. Seria bom se o egípicio pudesse vir com ele, mas o ritual que iria realizar, atrairia a atenção sobrenatural a qual a velha múmia realmente não queria que estivesse sobre si. 

Ele não achava que pudesse culpar o velho sacerdote. Talvez, pensou, essa seja a nossa grande vulnerabilidade, quanto mais vivemos mais temos medo de morrer. Afinal, os jovens têm potencial, mas nós temos História. E quanto mais essa se acumula, sabemos que quando finalmente for nosso fim, teremos de encarar questões desagradáveis: “será que algo valeu a pena?”, “será que fez sentindo tanta luta e esforço para, como qualquer outro, virar pó ou ser dissolvido no ar, evaporado como ordinário líquido ou extinguir qual simples vela?”... 

E André sentiu, no limite do reconhecível, algo que percebeu antes. Tão tênue que teve dificuldade de reconhecer mesmo em memória recente. Um cheiro, um mal estar, nada excepcional, mas que lhe causava o sentimento de estranheza que teve no escritório da Netto Construtora. Sem pensar muito, enquanto Moura esperava que ele dissesse algo, tirou de seu bolso mais fumo e começou a enrolar em um cigarro. 

O outro homem não gostou disso. Ficou alerta e um pouco do verniz de civilidade esmaeceu.  

- O que você está tentando fazer, André? 

- O que você acha? Eu não sei quem você é, mas eu sei que não se trata apenas de tirar os fantasmas daqui, exorcizar eles ou ajudar eles a encontrarem seus caminhos. Tem algo mais e nisso tudo e está atrás daquela porta. 

Nisso, a porta abriu, e fantasmas saíram, cercando a assistente de Paulo do empresário. 

-  Carolina?

- Olá de novo, André. 

Ela faz um gesto rápido com a mão e André logo está cercado de fantasmas que o seguram pelos braços. 

- O que é isso? O que querem comigo? - Enquanto grita e se debate, André chama pelos espíritos que passou a invocar na última hora, espíritos de vício, sedentos, espíritos confusos e furiosos. A sua volta começa a se criar um pandemônio. 

André não sabe como Carolina controlou os espíritos e o que quer com ele. Mas pra ele, está claro quem são os vilões que o Cavalo lhe alertou a respeito. Assim que consegue se desvencilhar, ele se atira no chão e tenta empurrar a mesa contra Carolina e Moura. A luta entre os fantasmas se intensifica, e ele se vê desviando de objetos voando pela salva e fora dela, atingindo a ele e também a Carolina e Moura. 

-  Você é louco, você vai nos matar!

- Talvez, mas o que vocês queriam comigo não parecia ser melhor, Moura!

- Moura, vamos embora daqui! - gritou Carolina, tentando empurrar a mesa, que André agora usava para manter eles presos no barracão.    

O pandemônio começou a diminuir. Os fantasmas que ele chamou queimaram rapidamente a sua raiva nos gestos de fúria que trouxe caos ao barracão. Mas Carolina também perdeu fantasmas, talvez ele conseguisse resistir a ponto de saber o que estava acontecendo. 

- Afinal, o que queriam comigo, Moura? 

- Não é óbvio, André? Você. Não queríamos, ainda queremos. E seus fantasmas se foram, não? Não tenho suas habilidades, mas sinto que a presença se foi, quase que completa. Vamos comer você e nos tornar imortais como você! 

“Necromancia, canibalismo? Acho que foi bingo.” - Pensou André começando a recitar um canto egípcio e tirando da bolsa a espada de são jorge. Os fantasmas logo se afastaram dele ao ver as folhas, o que também lhe custou algo. Afinal, ele não era apenas de carne e ossos, mas também de ectoplasma. 

- Pare ele agora, Moura, antes que seja tarde dem… - A boca de Carolina permaneceu aberta, mas o som foi instantaneamente interrompido, enquanto André finalmente se levantava e continuava a cantar na língua que os gatos lhe implantaram na mente.

Os fantasmas ficaram confusos sem Carolina para lhes guiar, mas ficaram no local até André, quando pode pausar o canto, os espantou com a folha de espada de são jorge, a jogando no chão assim que eles se foram. 

Posicionou então Moura e Carolina no chão, que não lhe resistiram e colocou os vasos canópicos próximos a eles. Retirou enquanto pronunciava encantamentos, os fígados, pulmões, estômagos e intestinos dos cavalos, Manoel e Natália, ao lado que seriam seus novos recipientes.   

André sentia suas próprias forças sendo usadas no ritual e sua própria foma fluir, perdendo um pouco de sua qualidade humana, se indefinindo. Não era à toa que o egípcio temia o ritual. Ele sentia a fome do local onde os cavalos estavam e a resistência em lhes deixar partir, para voltar para o mundo material. Ele sentia que lutava contra bestas de lendas que muito precediam até mesmo os homens, mas não podia fraquejar ou seria, ele mesmo, sugado para esse reino de morte, onde todo dia seria devorado. 

Quase ao amanhecer, terminou o ritual. Moura e Carolina agora se levantavam como Natália e Manoel, mortos anos atrás pelo Papa Figo. Confusos, mas agradecidos, levantaram sem esforço o corpo de André, que parecia querer de liquefazer e escapar pelas suas mãos. 

- Obrigado, André - Disse Manoel. Natália, chorava em silêncio, ainda mal acreditando que fora chamada de volta do inferno, mas lhe tomava as mãos e deixava a carne, quase líquida, com carinho.  - Ainda mora no mesmo lugar? - Perguntou Manoel, que teve com resposta de André um débil balançar de cabeça. - Entendi que sim - disse Manoel, sorrindo com a boca de Moura, que a cada segundo, passa a se assemelhar a sua. 

Saindo do barracão, dois gatos passaram a acompanhar de perto o grupo. E André nesse momento, parecia não notar, mas os fantasmas de antes, já não estavam lá. Quem sabe, ele teria outro dia a oportunidade de os ajudar a achar seus próprios caminhos, e com sorte, fazendo isso, poderia garantir um ou dois meses de aluguel.

August 15, 2024

Mito

 O homem-agulha olhou para o céu como que esperando uma resposta. Passou horas assim, mal parecia respirar. Não era incomum. Juin´yuet o observava enquanto fazia as tarefas na fazenda. À noite, o homem-agulha entrava e comia da ração que seu pai pedia que deixasse separada pra ele. 

Não havia nada de bonito nele. Seu crânio alongado e fino pescoço eram quase do tamanho do comprimento do braço de Juin´yuet, que já era adulto fazia duas primaveras. Levava a ração ao pequeno orifício que lhe servia de boca, com longos e delicados dedos, segmentados em sete partes. Dois pares de olhos acompanhavam a comida, enquanto outros dois pares olhavam para Juin´yuet, espelhando suas curiosidade. 

O homem-agulha era uma novidade na fazenda. Estavam com eles desde o último mormaço, apenas 3 semanas atrás. Juin´yuet, já os tinha visto antes, na cidade e na fazenda de Volsge, quando ia ver Redbllom, mas nunca durante tanto tempo, e vivendo e comendo com eles. 

Juin´yuet desviou os olhos e voltou a comer. Seu pai e sua pequena irmã brincavam de quem iria comer mais. Com a morte da mãe, ela ficou muito triste e perdeu muito peso. Preocupado, seu pai começou a fazer brincadeiras assim e lhe dava toda a atenção que podia. 

Basf´ehi se juntou a eles pouco depois, trazendo um prato da mesma comida que ele havia preparado para jantar, mas com um "tempero especial", que ele colocava apenas para si e nunca dividia com ninguém. Juin´yuet uma vez perguntou o que era, mas mesmo antes que o velho capataz lhe desse a resposta, viu o olhar de reprovação de seu pai. Mas Basf´ehi, com um sorriso zombeteiro, apenas disse que não poderia lhe falar até que eu pudesse caçar um Johhtoun. A ideia de um homem caçando um Johhtoun me pareceu tão ridícula que sorri e não o importunei mais. 

A vida na fazenda era tranquila, mesmo exigindo muito trabalho. Basf´ehi, Juin´yuet e os outros homens acordavam cedo para recolher as meusblianes antes do sol nascer, ou perderiam a colheita. Eram colocadas em recipientes escuros, lacrados, e seguiam para vender na cidade ou para um dos lagos próximos se fosse vender em um dos outros mundos. Suas irmãs passavam o dia cantando. Juin´sien estava quase na idade do exame e Juin´uluan, mesmo nova, devia praticar desde cedo. Quando seu pai ia pra outro mundo, a fazenda ficava sob o mando de  Basf´ehi, já que essas viagens levavam alguns dias.  Juin´yuet nunca entrou num dos lagos, mas Juin´sien já havia viajado várias vezes e lhe contava as histórias dos outros mundos, seus povos, seus animais, suas plantas, suas cores e seus cantos. 

O homem-agulha, diferente deles, tinha uma diferente rotina. Apesar de fazer suas refeições na mesma sala que eles, morava em outro local, um prédio longo, esguio, que parecia um silo de grãos, próximo da casa principal da fazenda, mas no lado oposto aonde eram criados os animais, que tinham medo da criatura. Ele parecia trabalhar quando bem entendesse, mas havia, sim, um ritmo, um ritual, que lhe ordenava as tarefas: o operar das máquinas de clima e o recém comprado escavador. 

Rocha-Derretida fabricava e vendia escavadores que podiam ser operados por pessoas, mas nada se comparava aos usados pelos homens-agulha. E máquinas como a de controle do clima, só eram operadas por eles. 

- Yuet-boon, Yuet-boon!

Um dia veio Juin´uluan lhe perguntar: 

- Por que você mesmo ou papai, não cutucam a máquina do clima como o homem-agulha? 

Antes que Juin´yuet pudesse responder, Basf´ehi andou apressado por trás da menina, lhe pegou pela cintura lhe levantando e a colocando no colo enquanto ele mesmo sentava ao lado de Juin´yuet, que estava estudando para os exames de verão. 

- Seu irmão não é velho o suficiente para lhe contar isso, mas eu posso, eu estava lá!

Juin´yuet sorriu com a mentira de Basf´ehi e os olhos arregalados de Juin´uluan que agora parecia querer também perguntar qual a idade do velho capataz, mas ele começou a lhe responder antes que tivesse tempo de lançar mais uma pergunta: 

- Já olhou pro céu, pequena Uluan? Já se perguntou como ele rachou? (vendo que a menina fazia sim com a cabeça, o velho continuou) Foram os homens-agulha! (Juin´uluan olhou agora para os lados, procurando com receio o homem-agulha) Não se assuste! Eles não fizeram por mal. Quando os deuses que nos fizeram vieram pra Belisen´Tur, eles precisaram de alguém para mudar o mundo por eles. Os deuses, Uluan, não podiam tocar as rochas ou mesmo respirar o ar! Eles eram refinados demais para isso! Do mesmo jeito que criaram a nós para cantar, fizeram os homens-agulha para manipular as máquinas que precisavam conseguir as coisas do mundo! 

- É verdade, Yuet-boon?

- É sim, Uluan. Foi assim que minha professora disse.   

- E as máquinas dos homens-agulha que foram criados pelos deuses, Uluan, os reconhecem como família. Se eu, voçê ou Yuet, tentarmos manipular o bicho-animal do clima, eles nos comem! 

- É verdade, Yuet-boon?

- É sim, Uluan. Papai não disse para você não chegar perto de Jujuba? 

- Disse sim, Yuet-boon! 

- Foi por isso, pequena! - continuou Basf´ehi - Não devemos chegar perto de Jujuba ou qualquer goblinoso, por mais apetitoso que pareçam! 

- Eeeeeca! - disse Juin´uluan, indo brincar em outro lugar enquanto Juin´yuet voltou a estudar e Basf´ehi seguiu para a cozinha, onde iria preparar a comida com os outros homens. 

Distante da fazenda, o homem-agulha entrava em na Máquina do Clima, que a família de Juin´yuet nomeou de Jujuba há mais tempo do que seu próprio pai lembrava. 

O longo corpo do homem agulha atravessava a outra criatura e manipulava controles biológicos que eram invisíveis aos olhos humanos, com seus dedos hábeis e disparos químicos. 

O animal máquina, por sua vez, lançava microorganismos na atmosfera que iriam ser levados para o vento, e combinados às nuvens, as dispersariam, evitando chuvas fortes que poderiam prejudicar as meusblianes, de quem os homens extraiam um líquido hipersensível à luz ultravioleta e que servia como popular forma de combustível em boa parte dos mundos. 

O homem agulha preferia estar com Jujuba a manipular a escavadeira. Esta era, de fato, uma máquina, criada por tecnologia esquecida milhares de anos atrás, quando o nono mundo jorrou revolta contra os anciãos. 

Jujuba, para o homem-agulha, cheirava como cheiravam seus criadores. Especialmente quando eles, os homens-agulha, os mataram. Um cheiro doce e sexual, proibido e saboroso. 

O antiquíssimo homem-agulha ficou mais um tempo dentro de Jujuba, apreciando as memórias da carnificina mais do que o longo tempo que se seguiu em que escavizaram os humanos, e então, escorreu pra foram na criatura gelatinosa para ir jantar com os animais barulhentos, seus irmãos.  






July 23, 2024

Conspiração de Caçadores da Campanha Desdouro: Os 49 Sábios

 Os 49 Sábios (Há pelo menos 5 representantes em João Pessoa)


Os 49 Sábios são uma conspiração de caçadores que afirmam ser seguidores de Artaban, o quarto homem sábio que seguiu a estrela de Belém para encontrar o Messias, mas foi atrasado por seus atos de compaixão e caridade ao longo do caminho. Segundo a lenda, Artaban não estava sozinho em sua jornada, mas foi acompanhado por outros 48 sábios que também venderam seus bens e trouxeram presentes para o Rei dos Reis. No entanto, eles estavam separados por vários obstáculos e perigos, e cada um teve que escolher entre prosseguir a sua missão ou ajudar os necessitados. Alguns deles desistiram de seus dons para salvar vidas, alguns deles se sacrificaram para proteger outros e alguns deles se perderam e foram corrompidos pelo mal. Somente Artaban conseguiu chegar a Jerusalém no dia da crucificação, onde deu sua última pérola para libertar uma escrava da venda. Enquanto estava morrendo, ele ouviu uma voz dizendo: “Em verdade te digo: quando o fizeste a um destes o bem, a mim o fizeste”.

Os 49 Reis Sábios acreditam que são chamados a seguir o exemplo de Artaban e dos seus companheiros e a procurar a presença oculta de Deus no mundo. Eles caçam o sobrenatural não apenas para proteger a humanidade, mas também para encontrar sinais de graça e redenção entre os monstros. Eles acreditam que cada criatura tem uma centelha de divindade dentro de si, e que algumas delas podem ser salvas ou iluminadas pelas ações dos caçadores. Eles também acreditam que têm uma conexão especial com o divino e que podem receber orientação e bênçãos de Deus por meio da oração e da meditação.

Ou pelo menos, é o que eles dizem, inclusive para os membros da conspiração que, exceto por alguns poucos, sabem a verdade. De fato, os 49 sábios são um grupo de 49 homens e mulheres, todos muito sábios (ou pelo menos, de enorme conhecimento em algum campo), que manipulam o destino do mundo por detrás das cortinas. Alguns deles parecem ter poderes sobrenaturais, com enorme longevidade ou mesmo imortalidade, alguns talvez sejam Magos. Por razões que não revelam sequer a esses membros mais graduados da conspiração, seu número nunca excede em 49 (se um deles falecer, logo buscam novo candidato através de processos divinatórios). Eles, pessoalmente, produzem os artefatos que servem de Dotes para a Conspiração, mas não dependem dessa organização para manipular os eventos que tentam controlar, exceto no que tange os seres sobrenaturais. Os "49 Sábios", são apenas um dos braços de uma enorme conspiração, com esses grupo em seu núcleo.  

A conspiração está dividida em três facções, cada uma representando um aspecto diferente do legado de Artaban:

Os Buscadores são aqueles que se concentram em encontrar e seguir a estrela de Belém, que acreditam ser um símbolo da vontade e do plano de Deus para o mundo. São estudiosos, astrólogos, místicos e visionários que estudam os sinais e profecias de várias religiões e culturas. Eles usam o seu conhecimento e intuição para rastrear fenômenos e eventos sobrenaturais que possam revelar o propósito ou a intervenção de Deus. Muitas vezes são curiosos e aventureiros, mas também propensos à obsessão e ao fanatismo.

Os Doadores são aqueles que se concentram em dar e compartilhar seus presentes com os necessitados, como Artaban fez com suas joias preciosas. São curandeiros, filantropos, ativistas e mártires que usam os seus recursos e capacidades para ajudar os outros, especialmente os pobres, os oprimidos e os que sofrem. Eles usam a sua generosidade e compaixão para lutar contra a injustiça e o mal e para inspirar esperança e fé nos outros. .

Os Redentores são aqueles que se concentram em salvar e iluminar aqueles que estão perdidos ou corrompidos pelas trevas, como Artaban fez com uma escrava que tentou lhe envenenar, mesmo a tendo comprado de um mau senhor e lhe dado a liberdade. Esses membros são exorcistas, conselheiros, professores e missionários que usam as suas palavras e acções para confrontar e desafiar os seres sobrenaturais que atacam a humanidade. Eles usam a sua coragem e sabedoria para lhes oferecer uma oportunidade de arrependimento ou redenção, ou para destruí-los se recusarem. Muitas vezes são corajosos e justos, mas é verdade que podem também ser arrogantes e críticos (moralmente).

Specialidades:
Buscadores - Ocultismo (Augúrios)
Doadores - Empatia (Humanos)
Redentores - Intimidação (Exorcismo)

Dote:
Os dotes dos 49 Reis Sábios são baseadas em seus presentes para o Messias: safiras, rubis, pérolas, ouro, incenso e mirra. Eles são entregues em um ritual que os vincula aos Caçadores que os requisitaram (que gastaram os pontos de Mérito necessário), não sendo possível serem usados por outras pessoas em hipótese alguma (os artefatos aceitam o sacrifício de Força de Vontade, mas não produzem seus efeitos). 

Olho de Safira (5): O artefato é um anel com uma pedra de safira. Ao proferir o nome de Artaban ao segurar a pedra, gastando um ponto de Força de Vontade, durante uma cena, poderá enxergar através de ilusões sobrenaturais, ou enxergar para além do mundo material, podendo perceber espíritos e fantasmas. Não é feito um teste, o artefato brutalmente revela a natureza ou disfarce de qualquer criatura, no plano escolhido (Mundo Material, Mundo de Sombras, Crepúsculo, etc.) que tiver até nível 3 em seu atributo de poder sobrenatural (Potência de Sangue, Impulso Primordial, Gnosis, etc.).

Medalhão de Ouro (3): Durante uma cena, após dizer o nome de Artaban e gastar um ponto de Força de Vontade, quem estiver usando o medalhão ganha 3 de Defesa contra todo o tipo de ataques que tenha como origem um ser sobrenaturais.  

Coração de Rubi (5): O artefato é um anel com uma pedra de rubi. Aos gastar um ponto de Força de Vontade e dizer o nome de Artaban, quem estiver usando o anel ganha 2 de Vigor (e bônus associados) além de vários benefícios: todo o dano que receberem durante a cena é considerado como dado de contusão, e qualquer condição que tenha sido dada a eles por doença ou veneno de origem sobrenatural, será ignorada. Em particular, a mão em que estiver o anel (tem de ser usado em um de seus dedos), não pode ser destruída completamente em hipótese alguma durante essa cena. 

Incenso de Artaban (4): O artefato é um bastão de incenso que se renova todo dia, assim que levar os primeiros raios do sol. O dono do artefato deve acender ele, gastar um ponto de Força de Vontade, pronunciar o nome de artaban e colocar em um local onde um incenso naturalmente queimaria. As pessoas presentes, se recuperam de doenças, envenenamentos e ferimentos, em apenas um quarto do tempo. A aroma também dá uma enorme estabilidade as pessoas que repousam sob seus efeitos, ajudando elas a sanarem seus danos psíquicos, lhes dando um bônus de +1 no primeiro testes relevante que fizerem após essa terapia.

Pérola da Alma (4): O artefato é um brinco de pérola, que durante uma cena e após gastar um ponto de Força de Vontade ao proferir o nome de Artaban, concede ao seu dono um bônus de +1 em todos os atributos sociais. Adicionalmente, lhe dá a proteção equivalente a um atributo de poder sobrenatural (Potência de Sangue, Impulso Primordial, Gnosis, etc.) de nível 2, para resistir a tentativas de sedução ou controle mental enquanto o brinco estiver ativado.