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June 19, 2012
June 18, 2012
O Mar e os Sonhos
Ainda ocupado, transcrevo depois. Foi sugerido que eu poste as gravações. Estou pensando a respeito. A ideia de ter minha voz zanzando por aí, eu acho...estranha. :)
June 17, 2012
June 16, 2012
June 15, 2012
May 15, 2012
May 12, 2012
Pinças
A ocupação na Ilha da Pedra do Mar, começou pouco depois da queda da Cidade dos Rios.
Joras temia, não por si, mas pelos seus filhos.
Iulam tinha quase 18, é um ariano.
Passava alguns dias na casa do pai antes de seguir em viagem, procurando algum empregador.
Ghelem é uma leonina. Mandona, a menina de 12 anos era uma das melhores em sua classe e já se mostrava uma excelente debatedora.
A ocupação, porém, ocorre sem grandes incidentes.
Não molestam as pessoas e apenas parecem curiosos.
A estação de rádio foi sim, invadida.
Os guardas, mortos.
O governador, teve o mesmo fim.
Mas Joras não teve qualquer percalço.
Até a noite do sétimo dia.
Joras foi acordado por um som na sala. Algo caiu no chão. Seus filhos, ele imaginava, estavam dormindo.
Preocupado, pegou seu bisturi e tateou as paredes no escuro.
Na sala, antes que pudesse aproveitar-se da luz que entrava pela porta, foi derrubado e rendido.
De imediato reconheceu o cheiro de sangue.
- Meus filhos! Não machuque meus filhos!
- Doutor, não viemos lhe fazer mal.
A voz era forte e segura, mas falava baixo. E não estava só.
- Feche a porta e me deixe acender uma vela.
O homem fez isso e pode ver o estado de ambos.
Sujos, feridos. Um deles não iria sobreviver se ele não o tratasse de imediato.
Ele puxou o homem menor para uma maca e o ariano fez menção de ajudar, mas ele fez que não com a cabeça.
- Eu cuido dele. Vá na cozinha e pegue algo para comer. Se quiser, vá ao banheiro se lavar.
- Quem são eles, pai?
Iulam. Joras preferia que o filho não tivesse acordado.
Um menino ainda, apesar dos implantes. Sonolento, sua arma mirava o estranho.
O ariano olhou Iulam com tal desdém que o garoto abaixou sua arma, rosto vermelho e envergonhado.
- Diga a sua irmã para ficar no quarto. Tenho certeza que ela também acordou. Depois volte e esquente a água, preciso cuidar desses estranhos antes que o dia chegue.
Ele ainda tinha espranças de livrar-se dos estranhos, proteger sua família e se manter em segurança.
Vãs esperanças.
Morein, o geminiano, levou vários tiros. Não pode ser levado de sua casa e acabou abrigando os estranhos muito além do que gostaria.
E seu filho...Iulam estava impressionado com Silas. Imitava o ariano em tudo, em nos poucos dias, quatro, sem contar a noite em que chegaram, parecia se tornar cada vez uma sombra do guerreiro.
- Preciso que vão embora.
- Não desejo outra coisa, Joras.
O ariano o tratava de maneira pessoal e isso o incomodava. Não era culpa deles a situação em que estava. Porém, sentia que precisava proteger sua família.
Tornar-se amigo de Silas ia contra seus interesses.
- Morein pode ficar, Silas.
- Eu preciso dele.
- Nâo, não precisa. Conversei com ele. Ele lhe fará um mapa e lhe dará as instruções necessárias.
- Está bem, mas vou conversar eu mesmo com ele.
Silas esperou pacientemente que Morein despertasse e o interrogou. Satisfeito, veio falar comigo.
- Seu filho quer ir comigo, sabe disso, não?
Sabia sim. Era seu maior medo. Como ariano, Silas tinha o direito de recrutar o menino como aprendiz que não tinha 20 verões ainda.
- Eu o mato. Silas olhou para mim com o mesmo desdém que dispensou para Iulam, mas eu não desviei meu olhar.
Arianos morrem como qualquer um de nós. Ou pelo menos era isso que pensava enquanto sustentava aquele olhar.
Será que Iulam um dia terá olhos assim, mortos, cruéis, capazes de desvelar nossa alma e nossos medos?
- Eu lhe sou grato, Joras. Não vou levar seu filho.
- Então vá. Vá antes que ele desperte e lhe siga como um cachorro.
Como conter meu ódio? Como não ter raiva de alguém que meu filho parecia querer que fosse seu pai?
Silas recolheu alguns poucos pertences, comida, água, o mapa e partiu.
Iulam acordou pouco minutos depois.
- Você o mandou embora.
A acusação tinha mais verdade do que ele gostaria de ouvir.
- Sim. - Eu vou atrás dele.
- Não, Iulam. Preciso de você, filho. Eu e sua irmã também.
O garoto esmurrou a parede mas voltou para seu quarto. Fiquei aliviado e secretamente, feliz.
Dois dias depois os guardas invadiram a casa. Mataram Morein.
Iulam os atacou e segurei seus cabelos ruivos misturados ao sangue e areia que os soldados trouxeram em suas botas.
Cabelos tão ruivos quanto os meus.
Meu filho estava morto.
Os olhos azuis que herdou da mãe se fecharam.
Um menino.
Apenas um menino.
May 11, 2012
O Duplo Oposto
- Repito: A Cidade dos Rios caiu.
E ele repetiu mais de mil vezes durante os 5 dias seguintes.
Morein estava cansado, mas não dormiu nas últimas 48 horas.
Não podia dormir. "Inimigos nos portões", ele pensava, lembrando uma citação perdida.
Tudo estava ainda confuso. Ele já estivera presente em outros conflitos, mas em nenhum deles, os arianos deixaram de proclamar sua vitória ou derrota, e desde a instituição dos zodíacos, ele não sabia de sequer um ataque em que toda uma cidade fora destruída. Ele só poderia concluir o que já concluira antes, mas que temia que fosse realidade, que uma nova força surgiu no mundo, um exército que não era formado por arianos, um exército sem compaixão, um exército de extermínio.
Mas quem queria isso? Porque?
Ele pensava nessas questões a todo momento, sem uma resposta plausível.
Não conseguia sair de perto do rápido, e desenvolveu uma forma de arrastá-lo até mesmo para perto do banheiro.
A estação de rádio, na verdade, fora atacada nas primeiras 24 horas após a destruição da Cidade dos Rios, mas ele sempre manteve uma estação auxiliar, justamente para situações do tipo.
Uma coisa era destruir cidades, que nunca aconteceu na História recente, outra é haver guerras, conflitos entre as cidades-estado e uma mudança quase que contante de território.
"O esporte nacional, é a guerra", pensou ele a respeito da Confederação e as cidades-estado não aliadas. E havia muita verdade nisso.
Os conflitos se tornaram tão corriqueiros, que assumiram um caráter cada vez menor de guerra e uma disputa, se não amigável, mas atreladas a uma enorme quantidade de regras e costumes que tornavam os participantes, dentro de sua animosidade, amistosos.
Como todo geminiano, Morein era incansável em seu paralelismo. "Dois homens em um só", costumava dizer seu pai, "Então trabalhe por dois", e lhe dava várias tarefas ao meso tempo, coisa da qual nunca reclamou.
Sendo assim, escrevia um livro sobre o conflito, que ainda não sabia do que lados estavam envolvidos, chacava e transmitia informações pelo rápido, e fazia planos e mais planos, de fuga, contra-ataque, etc. Talvez os arianos fossem rir de suas ideais, ele sabia, mas ele sem mantinha ocupado e isso era o que importava.
Mas a comida já estava ficando escassa e temia sair de seu esconderijo.
Foi quando ouviu alguém entrar na estação, dias após dela ter sido destruída pelos homens em armaduras prateadas.
Pela pequena câmera, Morein acompanhava o homem. Ele estava vestido com uma das armaduras, mas havia algo de estranho nele, ou melhor, algo de familiar.
Então ele começou a vasculhar a sala, a sala onde não havia nada a ser vasculhado.
Só a porta que dava para o túnel.
- Olá.
Morein se ouviu dizer, mais por medo que por cálculo. Ele não tinha muita alternativa.
Um som abafado saiu da armadura.
Então, o homem retirou a parte superior e Morein notou que não era uma armadura, mas uma espécie de tecido metalizado.
E o homem era ariano.
- Olá. Felara me disse que posso confiar em você.
"Felara? Aqui?", pensou Morein. Ele lembrava da Taurina e do filho de ambos. O menino os unira por um tempo, mas só. Gêmeos e Touro? Não.
- Ótimo, mas ela não me disse nada sobre você.
- Não tinha como. Meu comunicador quebrou. Preciso de sua ajuda para enviar um relatório sobre o que está havendo.
- Para quem? Para quem você trabalha?
- Uma célula rebelde.
Uma célula rebelde. Para Morein, isso dizia muito e tão pouco. As pessoas eram livres para deixar o zodíaco e os faziam por muitas razões diferentes, mas não recebiam auxílio do resto da sociedade, que por maiores que fossem as divergências políticas, se mantinha forte em suporte ao sistema social implantado séculos atrás. Uma célula rebelde podia ter quaisquer ideologias imagináveis, podiam ser desde de tebaranos até natários e paulinos. Religiões, cultos, grupos radicais sugiam entre as células com facilidade. Porém, por experiência própria, sabia que a maioria era, antes de tudo, humanista. Muitas vezes as células exerciam uma malha de auxílio as vítimas das guerras entre a Confederação e Cidades-Estado e entre aquelas nos quais as próprias Cidades-Estado infrigiam umas as outras.
E o ariano precisava de auxílio, isso era verdade. Ele já vira arianos feridos assim antes, e a maior parte deles, sobrevivia. Era mais um perícia que uma qualidade, aprendidendo a sobreviver através de sua força de vontade nos campos insanos de treinamento do zodíaco.
Silas, se esse era mesmo seu nome (mas arianos raramente mentem, apesar de não terem escrúpulo algum em omitir), estava ferido, exausto e doente. Ele não sobreviveria sem um local para descançar, água, comida e alguém que trata-se seus ferimentos.
E ele mencionou Felara.
- Entre.
Ele estava cuidando de Silas já por dois dias e se espantava com a forma como ele se recuperava. Não foi fácil no começo, mas o ariano trouxera consigo mantimentos, pouca coisa, mas aliviava seus próprios problemas.
Hoje, um deles teria de sair e trazer algo. Ele sabia pelo rádio que haviam muitas patrulhas. Outras cidades haviam sido atacadas pelos Antigos e a Confederação já havia enviado tropas para áreas periféricas. Não ia tardar e estariam em uma zona de guerra como não vista em anos.
- Precisamos de comida e água.
- Eu sei.
- Tem condições de ir?
- Claro.
Ele não gostava de Silas. Ele não gostava de arianos em geral e de Silas em particular.
O orgulho tolo e cego, a incapacidade de se entender incapaz, poderiam acabar matando ambos.
Ainda assim, ele não sabia manejar uma arma. Silas, sim, e aparentemente, muito bem.
- Use isso.
Morein entregou o headset e mostrou seu rádio.
- Vamos nos manter em contato. Apesar de não aparentar, há mais refugiados na cidade com comunicadores, rádios e receptores, eles podem nos auxiliar de alguma forma.
E ele esperava que sim. Todos estavam com medo de sair de seus esconderijos, mas a comunicação era contante e através dela, Morein sabia onde estavam as três patrulhas desse horário de início da manhã.
- Está bem. Eu vou agora.
O caboclo se levantou cambaleando um pouco. Checou suas armas, tanto a luz e chamas e de projéteis. Colocou a roupa metalizada, mas invertida, o lado interno, escuro, servindo de uma grosseira camuflagem.
E ele saiu. Quando voltou, trazia água, comida, e aparentava estar exausto. Ele sabia que ele se movera rápido, evitando as patrulhas e indo em cinco casas de Igara. O headset foi essencial em alguns momentos e talvez tenha lhe salvado a vida. O ariano agradeceu do seu jeito, fazendo um curto gesto com a cabeça.
- Eu vou levá-lo hoje.
Ele estava falando de uma segunda estação. Lá, onde havia um sistema de rádio mais poderoso, tentaria entrar em contato com a célula de Silas.
Eles passaram o dia planejando, se prepararam e saíram ao anoitecer.
A ponte para a Ilha da Pedra do Mar estava sendo vigiada e tivemos de nadar até lá.
Perto da margem, ouvi tiros.
As balas batiam na água, e eu continuava nadando.
Tarde demais, percebi que tinha sido atingido.
O sangue e água eram negros, sem luz de luar que lhes desse cor.
Tentei gritar, mas não consegui.
O ariano ainda me puxou para cima, mas minha consciência, se não meu corpo, foi dragado.
E assim, me despeço de mim, de meu outro que permanece, se algum.
A insconsciência me abraça.
Nos braços do homem, guerreiro, que, como todo ariano, odeio.
E ele repetiu mais de mil vezes durante os 5 dias seguintes.
Morein estava cansado, mas não dormiu nas últimas 48 horas.
Não podia dormir. "Inimigos nos portões", ele pensava, lembrando uma citação perdida.
Tudo estava ainda confuso. Ele já estivera presente em outros conflitos, mas em nenhum deles, os arianos deixaram de proclamar sua vitória ou derrota, e desde a instituição dos zodíacos, ele não sabia de sequer um ataque em que toda uma cidade fora destruída. Ele só poderia concluir o que já concluira antes, mas que temia que fosse realidade, que uma nova força surgiu no mundo, um exército que não era formado por arianos, um exército sem compaixão, um exército de extermínio.
Mas quem queria isso? Porque?
Ele pensava nessas questões a todo momento, sem uma resposta plausível.
Não conseguia sair de perto do rápido, e desenvolveu uma forma de arrastá-lo até mesmo para perto do banheiro.
A estação de rádio, na verdade, fora atacada nas primeiras 24 horas após a destruição da Cidade dos Rios, mas ele sempre manteve uma estação auxiliar, justamente para situações do tipo.
Uma coisa era destruir cidades, que nunca aconteceu na História recente, outra é haver guerras, conflitos entre as cidades-estado e uma mudança quase que contante de território.
"O esporte nacional, é a guerra", pensou ele a respeito da Confederação e as cidades-estado não aliadas. E havia muita verdade nisso.
Os conflitos se tornaram tão corriqueiros, que assumiram um caráter cada vez menor de guerra e uma disputa, se não amigável, mas atreladas a uma enorme quantidade de regras e costumes que tornavam os participantes, dentro de sua animosidade, amistosos.
Como todo geminiano, Morein era incansável em seu paralelismo. "Dois homens em um só", costumava dizer seu pai, "Então trabalhe por dois", e lhe dava várias tarefas ao meso tempo, coisa da qual nunca reclamou.
Sendo assim, escrevia um livro sobre o conflito, que ainda não sabia do que lados estavam envolvidos, chacava e transmitia informações pelo rápido, e fazia planos e mais planos, de fuga, contra-ataque, etc. Talvez os arianos fossem rir de suas ideais, ele sabia, mas ele sem mantinha ocupado e isso era o que importava.
Mas a comida já estava ficando escassa e temia sair de seu esconderijo.
Foi quando ouviu alguém entrar na estação, dias após dela ter sido destruída pelos homens em armaduras prateadas.
Pela pequena câmera, Morein acompanhava o homem. Ele estava vestido com uma das armaduras, mas havia algo de estranho nele, ou melhor, algo de familiar.
Então ele começou a vasculhar a sala, a sala onde não havia nada a ser vasculhado.
Só a porta que dava para o túnel.
- Olá.
Morein se ouviu dizer, mais por medo que por cálculo. Ele não tinha muita alternativa.
Um som abafado saiu da armadura.
Então, o homem retirou a parte superior e Morein notou que não era uma armadura, mas uma espécie de tecido metalizado.
E o homem era ariano.
- Olá. Felara me disse que posso confiar em você.
"Felara? Aqui?", pensou Morein. Ele lembrava da Taurina e do filho de ambos. O menino os unira por um tempo, mas só. Gêmeos e Touro? Não.
- Ótimo, mas ela não me disse nada sobre você.
- Não tinha como. Meu comunicador quebrou. Preciso de sua ajuda para enviar um relatório sobre o que está havendo.
- Para quem? Para quem você trabalha?
- Uma célula rebelde.
Uma célula rebelde. Para Morein, isso dizia muito e tão pouco. As pessoas eram livres para deixar o zodíaco e os faziam por muitas razões diferentes, mas não recebiam auxílio do resto da sociedade, que por maiores que fossem as divergências políticas, se mantinha forte em suporte ao sistema social implantado séculos atrás. Uma célula rebelde podia ter quaisquer ideologias imagináveis, podiam ser desde de tebaranos até natários e paulinos. Religiões, cultos, grupos radicais sugiam entre as células com facilidade. Porém, por experiência própria, sabia que a maioria era, antes de tudo, humanista. Muitas vezes as células exerciam uma malha de auxílio as vítimas das guerras entre a Confederação e Cidades-Estado e entre aquelas nos quais as próprias Cidades-Estado infrigiam umas as outras.
E o ariano precisava de auxílio, isso era verdade. Ele já vira arianos feridos assim antes, e a maior parte deles, sobrevivia. Era mais um perícia que uma qualidade, aprendidendo a sobreviver através de sua força de vontade nos campos insanos de treinamento do zodíaco.
Silas, se esse era mesmo seu nome (mas arianos raramente mentem, apesar de não terem escrúpulo algum em omitir), estava ferido, exausto e doente. Ele não sobreviveria sem um local para descançar, água, comida e alguém que trata-se seus ferimentos.
E ele mencionou Felara.
- Entre.
Ele estava cuidando de Silas já por dois dias e se espantava com a forma como ele se recuperava. Não foi fácil no começo, mas o ariano trouxera consigo mantimentos, pouca coisa, mas aliviava seus próprios problemas.
Hoje, um deles teria de sair e trazer algo. Ele sabia pelo rádio que haviam muitas patrulhas. Outras cidades haviam sido atacadas pelos Antigos e a Confederação já havia enviado tropas para áreas periféricas. Não ia tardar e estariam em uma zona de guerra como não vista em anos.
- Precisamos de comida e água.
- Eu sei.
- Tem condições de ir?
- Claro.
Ele não gostava de Silas. Ele não gostava de arianos em geral e de Silas em particular.
O orgulho tolo e cego, a incapacidade de se entender incapaz, poderiam acabar matando ambos.
Ainda assim, ele não sabia manejar uma arma. Silas, sim, e aparentemente, muito bem.
- Use isso.
Morein entregou o headset e mostrou seu rádio.
- Vamos nos manter em contato. Apesar de não aparentar, há mais refugiados na cidade com comunicadores, rádios e receptores, eles podem nos auxiliar de alguma forma.
E ele esperava que sim. Todos estavam com medo de sair de seus esconderijos, mas a comunicação era contante e através dela, Morein sabia onde estavam as três patrulhas desse horário de início da manhã.
- Está bem. Eu vou agora.
O caboclo se levantou cambaleando um pouco. Checou suas armas, tanto a luz e chamas e de projéteis. Colocou a roupa metalizada, mas invertida, o lado interno, escuro, servindo de uma grosseira camuflagem.
E ele saiu. Quando voltou, trazia água, comida, e aparentava estar exausto. Ele sabia que ele se movera rápido, evitando as patrulhas e indo em cinco casas de Igara. O headset foi essencial em alguns momentos e talvez tenha lhe salvado a vida. O ariano agradeceu do seu jeito, fazendo um curto gesto com a cabeça.
- Eu vou levá-lo hoje.
Ele estava falando de uma segunda estação. Lá, onde havia um sistema de rádio mais poderoso, tentaria entrar em contato com a célula de Silas.
Eles passaram o dia planejando, se prepararam e saíram ao anoitecer.
A ponte para a Ilha da Pedra do Mar estava sendo vigiada e tivemos de nadar até lá.
Perto da margem, ouvi tiros.
As balas batiam na água, e eu continuava nadando.
Tarde demais, percebi que tinha sido atingido.
O sangue e água eram negros, sem luz de luar que lhes desse cor.
Tentei gritar, mas não consegui.
O ariano ainda me puxou para cima, mas minha consciência, se não meu corpo, foi dragado.
E assim, me despeço de mim, de meu outro que permanece, se algum.
A insconsciência me abraça.
Nos braços do homem, guerreiro, que, como todo ariano, odeio.
May 10, 2012
Felara, a Taurina
Ela olha para a cidade queimando. Dois dias atrás foi chamada para realizar um projeto na Cidade dos Rios. Duvida que será paga.
Felara desce do cavalo e olha para os arianos que a acompanham. São três, dois homens e uma mulher. Bem pabgos, mas querem sair correndo dali agora mesmo.
Não querem fugir, claro, querem ir para a cidade, lutar e vencer ou morrer lutando. A tensão na face de um deles é ridícula.
Ela usa uma luneta e vê a destruição de perto. Pouco restou. Quem teria atacado sem declarar guerra? Que outra cidade-estado? Ou um dos pequenos não-confederados? O Estado de Báia? O Grande Norte? A Cidade dos Rios queima sem resposta.
"Bem, não há muito o que fazer aqui...o que é aquilo? Gravs?", ela pensa, observando o antigrav cair do céu, com gente caindo da borda, alguns em armadura, outros, nus, marcados com o caneiro ariano.
Ela olha fascinada. A mais horrenda e bela visão que já vira. Quando a nave bate, o solo treme. O cheiro é forte: óleo queimado, ozônio...jatos de luz passam vindo de onde a nave caiu. Aind há luta.
- Vamos!
- Senhora, com todo respeito, mas nós podemos ir, a senhora não.
O ariano olha sério para ela, já com sua arma preparada. Ela não está intimidada, nem tem medo. Arianos nem sempre foram os únicos a provarem da guerra, apenas são melhores nisso que qualquer outro.
Ela gira o cavalo e o deixa galopar, com força, rápido, na direção da queda. Não há o que fazer, pessoas podem precisar de sua ajuda e ela quer ver de perto, mesmo se arriscando, a cara do inimigo, os responsáveis pelo cancelamento abrupto de seu contrato.
logo ela enxerga o antigrav, que queima e serve também de paalco para uma batalha. Como vermes caindo de fora de uma carcaça, os arianos ainda saem de dentro do veículo. Alguns, visivelmente além de qualquer ajuda.
Contrato ou não, os arianos que estavam com ela partiram em direção a nave. De cima dos cavalos, disparavam jatos de luz e fogo contra os homens em armaduras. Eles não entediam, mas fazia pouco efeito.
Felara percebeu que as armadura difundiam a luz e absorviam o calor. Não é de se espantar que a cidade caira. O arianos ainda não faziam ideia de que suas armas eram quase inúteis, pouco fazendo contra seus inimigos. Ou eram teimosos demais para deixar de tentar enfrentar os monstros com lanternas.
"Idiotas", ela pensou, mas sabia que, agora, pouco podia fazer.
Começou a ouvir as pequenas explosões e percebeu que eram armas de projéteis.
Ela desceu do cavalo pouco antes dele ser atingido e rolar abaixo em direção a nave e a cidade.
Encolhida entre a colina e a fumaça, ela estava indefesa. Balas passavam próximas a sua cabeça, assim como os disparnos de arianos. Ela ouviu os cavalos de seus companheiros relinchando e gritando, supondo o pior. E então, após alguns minutos em que a luta parecia estar acabando, ouviu um galope.
Ele surgiu em meio a fumaça. O cavalo, visivelmente aliviado por respirar novamente, estava arredio, mas ele o controlou como se já o conhecesse antes.
- Suba.
Ele disse, como se a situação só estivesse esperando por ele para estar sob controle.
Nu, machucado, ainda assim se mostrava autoritário o suficiente para lhe dar ordens.
Não precisa olhar para suas marcas para saber que era outro ariano.
E nem para o corpo na estranha armadura para saber que não era.
Amarrado ao cavalo, estava um dos homens que queimaram a cidade.
Apressada, subiu no cavalo. Sabia como eram impacientes, estes arianos.
- Meu nome é Silas. Você mora por aqui?
- Não. Sou Felara, engenheira.
- Paciência.
Ele cuspiu o nome e se pós a ir ao oeste.
Quando a noite chegou, eles ainda cavalgavam.
O cavalo parou, começou a pastar, e ela enfim percebeu que o ariano havia dormido.
Ela desceu e ele quase caiu do cavalo. Ela o segurou no último momento.
E sentiu sua febre. Silas queimava. Seu ferimento estava infeccionando.
Ela lhe deu água em lábios delirantes e tentou limpar seu ferimento.
Repartiu seu calor enquanto dormia, esperando que, quando o dia chegasse, estivessem ainda vivos.
- Acorde.
O ariano a olhava irritado.
- Vamos, temos de ir.
- O que houve?
- É dia, não sei onde estamos, e nenhum de nós ficou guardando o local. É sorte que estejamos vivos.
"Um obrigado seria bom...", pensa ela irritada, mas não discute.
- Eu sei onde estamos.
- Sabe?
- Sim. Para aquele lado, está a Ilha da Pedra. Distante, mas está.
- Bom. Você é taurina, certo?
- Sim.
- Bom. Não vou tentar lhe convencer a fazer o que bem entende. Não vou perder meu tempo. Preciso chegar até alguém com um comunicador, rádio ou fio. Faz tempo que não venho a Cidade dos Rios. Não conheço ninguém por aqui, não tenho contatos.
- Não sou daqui também, vinha fazer um trabalho...mas conheço alguém. Por isso falei da Ilha de Pedra.
- Vamos então?
- Vamos? Não. Eu não quero ter nada haver com isso. Eu tenho meu trabalho, já perdi quatro de meus cavalos, minha escolta, quase perdi minha vida! Vou ficar no caminho. E com meu cavalo.
- Está bem.
Eles seguem viagem, rumo ao norte.
Em silêncio.
A noite seguinte não é melhor. Silas por duas vezes quase caiu do cavalo durante o dia, quando a luz surge no céu, ele ferve.
- Mãe...
O ariano murmura. Ela o acalenta sim, como mãe. Lembrando do filho que deixou em Fortal. Roubado dela pela ordem. O menino, sagitariano, foi recolhido cedo pelo Zodíaco. Ela mergulhou em seu trabalho para não pensar nele. Bem sucedida, rica até, não via o filho a mais de 5 anos.
Ela sentia raiva da grosseria do ariano, mas não queria que morresse. Ele não era mal. Podia ter lhe deixado, roubado seu cavalo. Porém, continuavam juntos. Ele chegou a dividir ração e pastilhas de purificação com ela, coisa que, ela sabia, tinham ordens de nunca fazer.
Na manhã seguinte, ela acorda só.
O ariano foi embora, deixou o cavalo, comida que consegui caçar a preparar enquanto ainda dormia.
Um grande lagarto negro. Teju.
Ela acende uma fogueira do jeito que ele mostrou ontem, minimizando a fumaça e come.
Pouco depois, ele volta.
- Pensei que tinha ido embora.
- Ainda preciso do cavalo.
- Entendo.
"Ariano estúpido...e o cavalo é meu." - E fui buscar ervas e água. Preciso de um chá ou não vou passar dessa noite. Ela notou como ele estava suado.
- Eu preparo para você.
- Obrigado.
Ele cochilou enquanto ela praparava o chá.
Eles vieram no começo da noite. Eram três.
Silas usou sua arma em um deles, sem grande efeito.
"Pelo Zodíaco, como é burro!", gritava para si em silêncio, enquanto o ariano, ainda febriu e ferido, pulava entre rocha e rocha e disparava continuamente contra a cabeça de um deles.
"Ele o está cegando..."
Silas salta uma última vez, e o esforço faz seu ferimento sangrar.
Logo, um outro vermelho se junta a paisagem, quando ele abre a armadura com as próprias mãos e arranca pele e carne do Antigo, lhe roubando a arma e o usando como escudo.
Felara perde o fôlego quando vê Silas disparando a arma de projéteis, matando os dois outros Antigos e por fim, caindo exausto.
Ela vê como ele está e se preocupa. Procura nas armaduras, que nota agora, são pouco mais que roupas refletoras, por medicamentos e comida. Acha pouca coisa.
Dorme novamente ao lado do ariano, mas antes, cauteriza sua ferida após fazer uma limpeza. É um risco, mas o material explosivo dos projéteis talvez seja melhor que madeira. Ou assim ela pensa.
Quando acorda, ele está a seu lado.
Ele dá um sorriso fraco, mas ela nota, não está mais febril.
- Obrigado.
Ele diz e dorme de novo.
Ela gosta dele.
E decide ir embora.
Deixa o que recolheu dos homens, faz um mapa grosseiro e escreve no pouco papel que tem e parte.
Ela quer viver. Ver seu filho de novo.
E ele, ele é guerra, e destruição, não o sorriso fraco e carinhoso que deu a pouco.
Ele não é amor.
E parte.
May 09, 2012
Um Carneiro Entre Lobos
Ele desce a ribanceira sem pressa. Pode ver a cidade em chamas do outro lado do rio e sabe que se atrasou. Um grupo de refugiados passa apressado, carregando tudo que pode. Um deles levanta a cabeça e o olha nos olhos. Um ariano.
A arma dele cintila e cospe um jato de calor. Ele não pensa. Reage. Salta. Dispara. Do local no chão para onde pulou, vê o corpo carbonizado, ainda tropeçando, sem saber bem que morreu. Nunca passa por sua cabeça que poderia ter sido ele o homem morto. Afinal, é também um ariano.
- Não vim matar vocês.
Sua voz soa forte, e suas palavras são emolduradas pelo corpo ainda fumegante do homem que acabara de matar.
- Ele me atacou.
Levanta do chão e se aproxima do grupo, guardando sua arma. Não há outros arianos entre os refugiados restantes, ele está a salvo.
- Meu nome é Silas.
- Eu me chamo Heran.
O leonino faz uma mesura, que Silas responde de maneira idêntica.
- Heran, pode por favor me dizer o que houve?
- Recebemos um alerta, mas a cidade não foi evacuada logo. Foi isso o que aconteceu.
"Eu odeio leoninos", pensa Silas, "a menos que estejamos falando deles, nada tem de fato grande importância."
Ele procura identificar o sol de cada um, mas não consegue. Nem se arrisca em irritar Heran. Quer queira, quer não, ele é sua melhor fonte de informação no momento. A despeito de suas outras fraquezas, leoninos são orgulhosos e Silas sabe como usar isso.
- Não havia uma milícia?
- Sim, sim, havia milícia, baterias, colunas de chamas e um campo estático. Eles parecem ter ignorado tudo. E quando atacaram a cidade, eles não chegaram a parecer arianos. Claro, destruíam tudo, sim, mas há algo estranho no comportamento deles. Sem ofensa.
- Somos o que somos.
- Somos o que somos.
O leonino não responde sozinho, é apenas uma parte de um coro. É a primeira vez que todos falam, um condicionamento que elimina o medo e cansaço. A religião, une a todos. O zodíaco é tudo.
"Ou não", pensa Silas com vontade que rebate sua doutrinação. Arianos sempre foram o mais fáceis de aceitarem causas, os mais difíceis de se convencerem de algo e os mais rápidos em irem contra o status quo. Sua doutrinação sempre foi a mais curta e intensa. E ao mesmo tempo, lutam contra autoridade, procuram uma revolução em tudo. O Zodíaco aceita que arianos tenham fases assim, e os aceita de volta caso desejem. Silas, porém, é um dos arianos "maus", e juntou-se a uma célula rebelde, com suas próprias doutrinações, seus métodos de enxergarem o mundo, de questionar.
Silas foi a cidade como batedor. Seu grupo recebeu uma mensagem. Um alerta, mas que não identificava o inimigo. A Cidade do Rio foi atacada e massacrada. E ele chegou tarde demais, ou quase. Certamente não cedo o suficiente para ajudar em nada contra os invasores.
- Eu tenho de ir.
- Estranho, não vá.
É uma taurina. Ela pega no braço com força, ela teme até mesmo por ele.
- Eu tenho de ir.
- Não percebe que será morto?
- Talvez. Mas recebi minhas ordens.
Ela abaixa a cabeça. Arianos e ordens andam de braços dados, sempre. Seria inútil discutir com ele, ela agora sabia.
- Desejo boa viagem a vocês. Vão pelo caminho de Da Mata, não vi ninguém por lá.
Ele continua descendo pela mata norte, onde vejo a cidade cortada de rios que agora ardem em chamas.
Me escondo em meio aos escombros. E agora sei, não foram arianos. Isso me assusta. Por mais de 200 anos, não há soldados nascidos em outros sóis. Ninguém é estúpido. Nenhuma força de outros sóis ou combinações, supera os arianos na guerra. Vivemos, respiramos e sonhamos com o conflito.
A cidade tem as marcas erradas. A fúria poderia ser de arianos, mas raramente matamos tão indiscriminadamente. As armas são, tão estranhas. Não usaram canhões de calor, e sim, armas de projéteis. Não saquearam, não parece ter havido estupros e não saíram ainda da cidade. Muitas vezes tive de sair do caminho de pequenas patrulhas. Também, diferente de arianos, escondem os olhos. O que é idiota.
Como sentir se alguém é do seu sol sem lhes enxergar a alma?
Eu vou até onde parece ser a maior concentração de seus veículos.
OS antigrav não parecem diferentes do padrão, mas são mais esguios. Não entendo como carregam tantas tropas com tão pouco espaço.
Ou melhor, não entendia.
Um dos antigrav começa a se mover e vejo os soldados se agarrando no casco. Fazendo PARTE do casco.
Como eles não são achatados ou expulsos pelo próprio campo magnético, é algo que não entendo. Talvez a armadura seja bem mais resistente do que imagino.
Vejo um grupo deles atirando contra uma parede e agora percebo que é a marca do Zodíaco. Porque? É uma guerra religiosa? Mas quem odeia o criador? Mesmo eu, que começo a duvidar, não consigo pensar em ódio. Uma nação, então, bem armada, fazendo isso? Impensável.
Também é impensável deixar que tivessem me percebido, impensável também que se esgueirassem por trás de mim, impensável um ariano sendo levado prisioneiro por não-arianos, mas é exatamente isso que ocorre.
Ele acorda dentro de uma nave. Percebe logo que não está só, mas é o único acordado. Sua cabeça dói, o ferimento nas suas costas foi tratado, mas ele se irrita com as drogas e com as correntes.
Ele está nu, mas isso não quer dizer muita coisa. Não arrancaram seus braços. Eles certamente não são zodíacos. Mas não tem tempo agora para hipóteses.
Os compartimentos em seus braços, foram feitos para que ele os abra com os dentes. Ágil, pega um cilindro e com os dentes e língua, opera sobre o metal. Logo ele corta as correntes, e buscando dentro de outro um outro compartimento, toma drogas que o deixam alerta.
Ele verifica os outros prisioneiros. Boa parte, arianos. Começa a despertá-los.
Começam a se organizar e os de patente mais alta, vão dando ordens.
O líder olha para ele, percebe que é um apóstata, mas o deixa em paz. Um pequeno gesto de agradecimento é trocado e não se olham mais.
Silas não cumpriu sua missão, mas vai aproveita oportunidade que tem a mão.
Quando o conflito toma a nave, ele busca uma maneira de escapar.
Não consegue.
A nave começa a cair.
O combate não para. Arianos e seus captores lutam sem parar.
Um deles cai por sobre Silas, que dispara, debaixo para cima, arrancando o capacete e parte da cabeça do inimigo.
E enfim ele os vê. O horror. O demônio que o Zodíaco sempre nos alertou.
Por baixo da armadura, um homem. Um homem sem marcas. Sem a tatuagem do sol, sem uma tatuagem da lua, sem o símbolo de ascendência.
Um homem de cor distinta, barbado, e que, diferente dos zodíacos, envelhece.
Silas, desesperado, digita no comunicador de seu braço enquanto grava a mensagem.
- Aqui é Silas. Eles voltaram. Não são zodíacos. Eles voltaram.
O homem abre os olhos, que brilham vermelhos. A entidade alienígena por trás de seu cérebro parece se espremer para frente, modificando seu rosto, quase expulsando seus olhos das órbitas.
- Sim, voltamos.
E sorri, antes de morrer mais uma vez, momentos antes do impacto.
"Pelo menos consegui avisar a eles", pensa Silas, antes do mundo queimar e espatifar-se a seu redor.
April 21, 2012
Usar ou não o Recife?
Definitivamente estou usando Recife em meus contos. O que não é lá grande novidade. Seu futuro Cyberpunk está em Recife-Cyber-Lama, além de várias referências em outros contos meus, inclusive no primeiro conto desse grupo/cenário/universo, "Valsa para Sofia" e em seguida em "Imortais" e "Baile de Máscaras" ("O Bartender da Meia-Noite" está em pausa, se eu resolver os problemas dele, publico amanhã). E porque estou dando essa informação nada valiosa? Porque me inquietaram. A ideia é que os contos teriam mais valor se lhe fossem retiradas as referências locais. Mas eu amo Recife. Amo até o cheiro e mijo no centro da cidade. Amo a lama que piso no bairro da Várzea. Amo os assaltos que sempre vi na Madalena. Amo seus bares e suas igrejas. E tudo isso está em mim, como que gravado a ferro e fogo em meu córtex, riscado na alma. Eu amo Recife. E acho que a "cor local", as vezes se faz necessária. Não imagino o conto "Dezoito" sem Lisboa, ou "Sete" em outro local que não no Sahara. O local é muitas vezes uma outra personagem, participante do texto. Vai ver, em fim (pois estou velho), me torno, enfim, um Urbanomancer, que necessita de cidades como razão de viver. E se me torno menor do que já sou, paciência.
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